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Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2005

Tudo isto existe, nem tudo é triste... e o fado, às vezes, é rock & roll...

Há pouco, depois do jantar, saí para tomar um café com aquela que me carregou no ventre uma catrefada de meses (nem digo quantos, para não assustar ninguém...). Nos escassos metros que separam a minha casa do estabelecimento, ouvi, no mínimo, umas dez vezes "O que é que tens? Não gosto nada de te ver assim.". Perante as minhas evasivas, ("Nada, mãe. Estou bem. Só um pouco cansada.") resignou-se e pediu-me apenas um sorriso (são mesmo assim, as mães).
Já sentadas, com um café quentinho à nossa frente, e enquanto olhava pela enorme janela, com um ar pensativo, perguntou-me:
- Achas que recordar é viver?
- Não, mãe. Acho que recordar é reviver.
- Às vezes, penso em coisas que vivi, que tive e já não tenho. Porque será que já não as tenho?
- Talvez porque tudo passa... e nós ficamos. A vida não pára onde nós queremos, não é? De vez em quando, também me lembro de coisas que vivi, que senti. Mas, apesar de terem sido óptimas e já não acontecerem outra vez, não acho que as tenha perdido.
E foi a partir desta frase que não me calei mais, até sairmos do café.
Contei-lhe que, quando era pequena (quem me conhece vai sorrir ao ler esta parte, porque sabe que ainda sou pequena...), achava que o Mundo girava à minha volta. Não no sentido narcisico da coisa, mas como uma espécie de "apanhados" à escala universal. Quando ía na rua e me acontecia algo estranho, sei lá..., como tropeçar, ou algum desconhecido me dirigir a palavra, pensava que estava montado um esquema de observação às minhas reacções. Isso divertia-me, porque nunca se tornou em suspeita de perseguição (não, não tenho uma personalidade do tipo esquizóide, tirem o cavalinho da chuva). Isso fez nascer em mim o bichinho do perfeccionismo. Cresci a ser exigente comigo própria. A reflectir, antes de fazer as coisas. A pensar no que ía dizer. A reler o teste, antes de o entregar ao professor. Não por medo de falhar. Nunca me importei com isso. Só queria que estivesse perfeito, aos meus olhos. Cresci a achar que era especial. Para mim, eu era especial. E é estranho que assim fosse, porque apesar de não ter motivos para isso, a minha auto-estima sempre foi baixa.
Aos trinta anos, olhando para trás, acho que está tudo no sítio em que deve estar. Apesar de ter sido muito precoce em alguns aspectos. Aprendi a olhar para dentro muito cedo. Mas foi por esse motivo que me tornei no que sou hoje. Em poucas palavras, conheço-me como ninguém, e tenho a perfeita noção do que quero. Também tenho dúvidas, claro. Mas não tenho pruridos de espécie alguma, em pedir opiniões.
Chegando à parte dos trinta anos (por falar nisto...é normal ter uma crise nesta idade? não é só aos quarenta??), dei por mim a dizer que já vivi um terço da minha vida (eu sei que sou optimista, sim). E um terço, não é nada, não é nada... mas já é bastante.
Assunto seguinte, óbvio, a morte. Se eu acredito na vida para além da morte? A minha mãe, gostou da minha teoria...
E aqui está ela: O que é que nos move? Temos um orgão, o cérebro, que não é mais do que um aglomerado de tecido orgânico, onde existem sinapses, pequenos "choques", ou "faíscas", que permitem a elaboração e armazenamento de memórias de vários tipos, de pensamentos, de movimentos musculares, e por aí fora. Mas não é este poderoso orgão que nos garante a vida. Esse é o trabalho de um simples músculo: o coração. Obviamente, em estreita colaboração com outros orgãos.
Hegel postulava que, para que pudessemos ter a ideia do absoluto, do infinito, em nós, era imprescindível a sua existência (se não foi isto, ou algo do género, que o homem disse, devo ter dado uma grande resposta na parte de Kant e Nietzsche, porque tive positiva no teste. Ou então... aquela professora gostava mesmo de mim!!). Eu não vou por caminhos tão elaborados, mas aquele nem era mau de todo. O que é que alimenta o cérebro? Nutrientes assimilados e transformados em energia, certo? Pronto, a parte da energia que nos move, está explicada. Mas agora, tirando a parte da informação genética e da memória colectiva, que faz com que, por exemplo, os ratinhos recém-nascidos procurem abrigo quando veem algo semelhante a uma ave a sobrevoá-los, onde vamos nós buscar o que sentimos? E eis que entra em cena a minha teoria (mais meia horinha e já só entravam disparates, porque estou cheia de sono e acho que até me contradisse, algures. Mas, pelo menos, já não estou deprimida. E mesmo que estivesse, não tinha pachorra para pensar nisso, a esta hora): Há uma energia que nos rodeia, que se respira, que se absorve através da pele. Tudo, à nossa volta, é feito de partículas. De átomos, de iões, de células, de partículas. Nós também. Da mesma matéria que (que ou das? neurónios!, não me façam isto...) as estrelas... Está tudo aqui. Sempre. Desde e para. Não há morte. O conjunto de orgãos deixa de funcionar, mas a energia que lhe deu vida, que fez parte dele, continua. E vai voltar a fazer parte de outros seres. Da água que alimenta as árvores, que dão os frutos que comemos...
Eu, tenho em mim partículas do líquido amniótico que me envolveu. E passei-as, no líquido que o meu organismo produziu para as proteger, às minhas filhas. A vida é isto! E isto, não comporta a morte.
Obrigada, mãe! Por me teres feito pensar.
E agora, vou dormir. Até porque, desconfio sériamente, o meu mal é sono...
publicado por S às 02:49
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