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Quarta-feira, 10 de Julho de 2013

O factor D

Lembro-me de ser criança e da curiosidade enorme que sentia pelas
pessoas. Por todas as pessoas, mas mais pelos adultos e muito mais
pelas mulheres. Lembro-me de reproduzir os seus gestos, quando
brincava.
A forma como as mãos das mulheres prendiam as pegas presas na parte
superior dos autocarros públicos. As mulheres e os sacos, sempre com
sacos. Os carrinhos de bebé (um fetiche com um impulso para o consumo
que conservei até, inquestionavelmente, já não precisar de um, porque
os meus bebés, as minhas bebés, cresceram entretanto) sempre cheios de
coisas penduradas, que as mulheres empurravam na rua. A forma como as
mães levavam os filhos pequenos à água, na praia. E as malas e as
carteiras das mulheres (outro fetiche) e a magia do ruído que faziam
os fechos, ao abrirem ou fecharem. As coisas que tinham lá dentro. A
forma como os dedos das mulheres pegavam nessas coisas. Imaginava as
vidas. As vozes. As conversas entre as mulheres.
Acontecia uma coisa estranhíssima quando me transformava numa delas ou
em várias ao mesmo tempo, nas minhas brincadeiras solitárias: o meu
corpo era sempre percorrido por um arrepio demorado.
A única ocasião em que isso ainda acontece, actualmente, é quando
entro cheia de frio para o duche e a água quente me toca. É uma
sensação estranha, como era antes.
Estes pormenores já eram tão evidentes para mim, na altura, apesar de
não ter ainda a capacidade de racionalizar que tenho agora.
Talvez a origem de me sentir ainda muito próxima da infância seja
essa. Naquele tempo, como agora, estou sempre muito acordada, muito
atenta, muito desperta.
Mas esperta não. Nunca fui esperta.
Intriga-me o D que me impediu de ser esperta.
A análise passiva e quase compulsiva a sobrepor-se à acção. A
curiosidade, a nítida preferência pelo saber a baterem a ambição do
querer ter ou fazer.

Hoje, como antes, raramente me manifesto. Absorver é prioritário.
Há pessoas assim. E eu sou uma delas. Não sei porquê.
Factor D é o nome que dou à consciencia mais aprofundada das coisas.

Comecei a escrever este post há dois dias. Não sabia qual era o
sentido. Não encontrava forma de o concluir. Só hoje percebi.
Este post é sobre o medo, porventura tanto maior quanto maior é a
consciência que temos das coisas.
Hoje gostava de ser apenas esperta.

(Vai correr tudo bem, Martinha. Eu percebo o teu medo e o meu. Estamos
nisto juntas. Vamos entrar e da mesma forma vamos sair. A minha mão na
tua e o meu coração abraçado ao teu.)
publicado por S às 10:28
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